Dieta Ácida ou Alcalina? Qual a melhor para a saúde?

f

Durante muitos anos a medicina clássica ignorou o papel que a dieta pode desempenhar  na saúde e na doença. Mais recentemente, começou a enfatizar a importância de se praticar uma alimentação equilibrada, como primeira medida essencial para nos mantermos livres da doença.

Por exemplo, ainda há relativamente pouco tempo, a “American Cancer Society”  e a “American Heart Association” pouca importância atribuíam à ligação da dieta com o cancro e doença cardiovascular; hoje em dia, ambas as organizações recomendam o consumo de, pelo menos, 5 a 7 doses de vegetais e frutos frescos por dia. Para além disso, a “American Cancer Society”, refere que cerca de 1/3  de todos os casos de cancro nos E.U.A. podiam ser evitados se o país adoptasse hábitos alimentares mais saudáveis.

A cada ano que passa temos mais conhecimento de como e porquê certos alimentos podem melhorar a saúde enquanto outros podem acelerar a progressão da doença.

Nos anos mais recentes uma das descobertas nutricionais mais excitantes está relacionada com o efeito que os diferentes alimentos provocam no pH do organismo, depois de consumidos.  De uma forma muito simplista quer dizer, alguns alimentos, depois de digeridos, criam um ambiente ácido no organismo, enquanto outros actuam como agentes alcalinos (ou básicos), anulando os efeitos perniciosos dos ácidos.

Para sermos saudáveis, é necessário estar num estado de equilíbrio ácido-alcalino.

Os nossos antepassados primitivos evoluíram tendo uma alimentação abundante em frutos, vegetais, sementes, raízes, frutos secos, alimentos ricos em minerais como – potássio, magnésio e cálcio. Estes, são elementos vitais para mantermos o nosso equilíbrio ácido-base. Infelizmente, cada vez mais a nossa dieta é pobre nestes nutrientes.

A Dra. Lynda Frassetto da Universidade de California, E.U.A., uma das grandes investigadoras mundiais na área, tem bem documentado que, de um modo geral, as dietas ocidentais são ácidas. Dezenas de estudos mostram o impacto negativo que esta acidose gradual provoca no organismo humano. Assim, osteoporose, perda de massa muscular, formação de cálculos renais (pedra nos rins), gota e outras doenças articulares, dores na coluna, são problemas de saúde associados ao estado de acidose crónica. Este, é um estado que não põe em risco a vida, mas que nos vai “roubando” a saúde gradualmente.

O que é exatamente o pH?

O termo pH significa “potencial de hidrogénio” e é usado para indicar a concentração de iões de hidrogénio (H+) num fluido. Uma vez que a dissolução dos ácidos é o que produz os H+, sabemos que quanto mais H+ estiverem presentes, mais ácida a solução será. Deste modo, mostrando a concentração destes iões, o pH indica se um fluido é ácido, neutro ou alcalino (ou básico).

A escala de pH varia entre 1,0 e 14,0.Valores inferiores a 7 são considerados ácidos, valores de 7 é neutro e valores acima de 7 são considerados alcalinos.

O pH do sangue varia entre 7,35 e 7,45. Valores significativamente acima ou abaixo dos referidos não são compatíveis com a vida. O equilíbrio do pH do sangue é um dos equilíbrios mais importantes entre todos os da química do corpo humano. Mas, manter o pH alcalino dos restantes fluidos – urina e saliva – é igualmente condição essencial para se manter a boa saúde.

O corpo humano deve ser ligeiramente alcalino (sangue e tecidos), contudo, todas as funções que o nosso organismo desempenha produzem acidez. Se a este facto, incontornável, juntarmos uma dieta essencialmente ácida, temos uma massiva acidificação das células, tecidos, órgãos e, eventualmente, do sangue. Este desequilíbrio irá criar as condições para “abrir portas” à doença. De referir ainda que a atividade física intensa é geradora de muita acidez.

Todos os mecanismos reguladores do corpo (incluindo a respiração, circulação, digestão e função glandular) trabalham para manter o equilíbrio ácido-base.

No nosso corpo a acidez revela-se em 7 estádios:

– Perda de energia

– Sensibilidade e irritação (ex: síndrome do intestino irritável)

– Produção de muco e congestão

– Inflamação

– Endurecimento dos tecidos moles (lupus, fibromialgia, endurecimento das artérias, formação da placa dentro das artérias).

– Ulceração

– Degeneração (cancro, doença cardiovascular, AVC, síndrome metabólico, Diabetes, etc. ).

Vários especialistas americanos têm referido que este é precisamente o principal factor da epidemia da obesidade que se verifica nos E.U.A.

Também em Portugal e em todos os países da EU que pertence à orla mediterrânica o consumo de hortícolas diminuiu significativamente desde a década de 60 até aos nossos dias, contribuindo para o aumento da doença cardiovascular, do cancro e de doenças inflamatórias crónicas.

Nas primeiras fases do desequilíbrio do pH, os sintomas podem não ser muito claros, podendo incluir sinais como: erupções na pele, dores de cabeça, alergias, constipações frequentes, corrimento nasal, etc. À medida que o problema vai evoluindo os órgãos e sistemas de órgãos vão enfraquecendo, provocando alterações na tiróide, nas glândulas supra-renais, fígado, rins, etc.

Mas será que os problemas de saúde se devem sempre ao ambiente ácido no nosso organismo? Não, o excesso de alcalinidade também pode provocar doença. Contudo, a grande maioria dos casos de doença deve-se ao excesso de acidez e não à alcalinidade

Acidose Crónica de Baixo Grau

A acidose crónica é causada por uma acumulação persistente de excesso de ácidos dentro do organismo. Este processo tende a ocorrer pelo envelhecimento que leva ao enfraquecimento dos rins, mas pode ocorrer também mesmo em indivíduos muito jovens devido aos desequilíbrios alimentares, nomeadamente devido ao consumo em excesso de alimentos formadores de ácidos como: proteínas, cereais refinados, açúcar, lacticínios, café, álcool enquanto há uma grande carência de alimentos alcalinos, tais como, hortaliças e legumes verdes, frutos frescos, sementes, tubérculos e oleaginosas.

Quando o organismo está num estado de acidez, rapidamente tenta compensar este estado, através das células, dos rins e da pele. Esta tentativa de equilíbrio do pH tem alguns efeitos negativos, uma vez que leva á depleção dos minerais alcalinos que têm que ser usados neste processo, sendo os seguintes os mais importantes:

– Perda de cálcio pela urina que leva ao enfraquecimento ósseo e ao desenvolvimento da osteoporose.

– Perda de potássio e magnésio que conduz à hipertensão arterial, inflamação, bem como à dor associada com a inflamação.

– Perda de massa muscular, levando á diminuição da força  e envelhecimento.

– Produção aumentada de radicais livres que aumentam a inflamação, envelhecimento precoce e enfraquecem o sistema imunitário.

– Risco aumentado de formação de “pedra” nos rins.

– Aumento da retenção de fluidos.

– Desequilíbrio da flora intestinal, com o consequente aparecimento de problemas digestivos.

– Diminuição das reservas de energia no cérebro, causando uma diminuição da capacidade mental.

– Problemas ao nível da desintoxicação hepática, levando à acumulação de resíduos tóxicos no organismo.

– Diminuição da capacidade de executar o exercício físico com altos níveis de intensidade.

 

 

COMO FAZER A MEDIÇÃO DO PH

 

O teste de avaliação do pH é feito através de tiras reactivas para urina ou saliva.

O objectivo será ter um pH de 7-7,2

Modo de proceder:

1 – Teste a sua primeira urina da manhã, antes de beber alguma coisa, aplicando umas gotas de urina na tira. Note a alteração da cor e registe o pH correspondente à cor obtida. O resultado óptimo é acima de 7.

2 – Faça o seu 2º teste matinal antes de comer ou beber. O resultado pode ser diferente do primeiro, porque a primeira micção serviu para eliminar o excesso de acidez. Mais uma vez procuramos um resultado acima de 7.

3 – Faça um pequeno-almoço alcalino: sopa de vegetais, salada com pera-abacate (avocado) ou tome uma bebida verde (copo de agua com colher de sobremesa de trigo verde por exemplo). Depois deste pequeno-almoço o pH deverá subir. Objectivo: 7,2-8,4 de pH.

4 – Teste novamente a sua urina ou saliva antes do almoço e entre o almoço e o jantar. O objectivo é obter um pH de 7 – 8,4 imediatamente após as refeições e de 7,2 algumas horas após as refeições.

Evolução do Homem e Dieta Alcalina

Os investigadores calcularam a Carga Ácida para os principais grupos de alimentos de uma dieta moderna (tabela nº1), chegando à conclusão que os únicos alimentos verdadeiramente alcalinizantes são as frutas e vegetais.

Estes investigadores, que partilham da teoria que defende que o ser humano está mais adaptado para a dieta seguida pelos caçadores-recolectores do que para a típica dieta recomendada por várias instituições de saúde, realizaram uma simulação, que consistiu em retirar da típica dieta americana os cereais, os óleos e o açúcar, substituindo-os por frutas e vegetais.

O resultado obtido foi uma dieta alcalinizante, que parece ter sido a norma durante a evolução do homem enquanto espécie, uma vez que os alimentos eliminados apenas começaram a fazer parte da dieta do homem a partir do Neolítico (11,000 anos atrás).

TABELA 1. Cargas Potenciais Ácidas dos Alimentos

Grupo de alimentos

Carga Potencial Ácida (CPA) (mEq/100 Kcal)

K

mEq/100Kcal

Proteína

g/Kcal

Alimentos acidificantes

     

Peixe

14,6

8,1

16,8

Carne

12,4

7,6

18,4

Aves

7,8

4,7

13,4

Ovo

7,3

2,4

8,3

Marisco

7,3

18,4

18,0

Queijo

3,3

0,8

7,1

Leite

1,3

6,4

5,7

Cereais

1,1

2,4

3,2

Alimentos neutros

     

Leguminosas

-0,4

12,6

10,6

Alimentos alcalinizantes

     

Oleaginosas

-1,1

3,8

2,5

Fruta

-5,2

9,4

1,6

Tubérculos

-5,4

11,8

2,2

Cogumelos

-11,2

62,3

25,7

Raízes (cenoura, nabo)

-17,1

34,3

6,8

Tomate

-17,5

35,5

5,6

Hortaliças

-23,4

43,5

10,0

Talos

-24,9

54,8

4,6

Notas:

1      Repare-se que os alimentos com maior Carga Potencial Ácida tendem a apresentar um maior rácio Proteína/Potássio (K)

O objectivo com este artigo é demonstrar a importância de um factor crucial para restaurar ou promover a manutenção da nossa saúde, através do restabelecimento do equilíbrio ácido-base. Através de pequenas mudanças alimentares, passando a privilegiar os alimentos alcalinos da tabela acima, podemos reduzir dramaticamente a quantidade de ácidos tóxicos que se formam no nosso organismo.

Na dieta alcalinizantes devemos incluir verduras sob a forma de saladas, sopas, batidos logo ao pequeno-almoço e tentar que nas refeições principais, metade do prato esteja cheio de legumes verdes e/ou hortaliças. Deste modo, podemos aumentar os nossos níveis de energia, ganhando saúde, enquanto prevenimos a possibilidade de ocorrência de um grande número das chamadas “doenças da civilização”.